2009-2010 – qui.me.ras

qui.me.ras – diálogos utópicos e a nova ordem do dia

Revendo a trajetória do grupo, identificamos em seu decorrer um amadurecimento das nossas práticas artísticas e de gestão, como um coletivo de artistas que busca, através da reflexão e do fazer teatrais, novos horizontes e novos caminhos que escapem por um lado das práticas de mercado e das pragmáticas soluções individualistas (capitalistas) e por outro de regimes totalizantes “ideologizados”.

Este projeto deu continuidade ao nosso processo de pesquisa sobre a Utopia, iniciado em finais de 2007, e contemplou três dimensões sem a qual o fazer não se completa. A Utopia que perseguimos. São elas:

O eu – os desejos artísticos de cada um dos integrantes do grupo.

O nós – a perspectiva de que os campos de investigação abertos convergissem para a nossa pesquisa artística central – medular – a Utopia. E que inspirassem e questionassem os nossos relacionamentos de trabalho para o fortalecimento e desenvolvimento de uma forma de criação e produção coletiva.

O nós e o eles – a busca da ampliação dos relacionamentos da companhia com outras comunidades e indivíduos desde o seu menor tamanho (físico), ou seja, a relação do ator com o espectador, passando pelo intercâmbio com outros artistas e grupos de teatro e indo ao encontro do diálogo com artistas de outras artes. Por fim, também um aprofundamento do diálogo com a população em geral, pessoas de diferentes origens, classes sociais, idades, através da potencialização de nossa sede artística como um local de encontros aberta a todos os interessados na busca de um sentido para o momento que vivemos e na elaboração de estratégias que nos aproximem desta compreensão.

Para isso, os caminhos práticos escolhidos, sucintamente, foram: o aprofundamento do estudo de linguagens não verbais, música, dramaturgia e encenação, através de grupos de estudos livres criados especialmente para estas linguagens; vivências artísticas conjuntas com criadores de outras artes; o compartilhamento de práticas de gestão através de seminário; o estreitamento da troca com a população do entorno físico da sede do grupo, desta vez com o emprego de linguagem de vídeo; o início de um trabalho mais próximo a temáticas jovens (grupo de estudos Sangue novo), com a conformação de um exercício cênico experimental com atores jovens; no plano técnico, um trabalho de recuperação sobre a esquecida memória cenotécnica paulistana, através de um documentário e uma oficina de práticas de maquinaria.

Como resultado deste processo, surgiu o espetáculo Enxurro.

Para maiores informações e acesso à programação e a materiais resultantes deste projeto, escreva para feijao@companhiadofeijao.com.br.