1998-2003 – estruturação

Desde a criação da companhia, em 1998, nosso trabalho tem sido pensar o Brasil e os brasileiros. No início, ainda em busca de uma linguagem própria, foram abordados comicamente a vigarice (em O julgamento do filhote de elefante, nosso primeiro espetáculo, sobre entreato de Becht) e os oprimidos catadores de lixo urbanos (em Movido a feijão, fruto de pesquisa de campo). Seguiu-se uma trilogia onde pudemos divisar e aprofundar a importância do teatro épico e do ator narrador como ferramenta central a nortear nossa pesquisa de linguagem daí em diante: O ó da viagem, Antigo 1850 e Mire veja. Costurando um painel do homem brasileiro sob influências externas, esta trilogia tratou, respectivamente, do sertão nordestino (sob a ótica de viajantes paulistas, inspirado em O turista aprendiz, de Mário de Andrade), dos habitantes de regiões degradadas da cidade grande (a partir do conto Piá não sofre? Sofre., também de Mário de Andrade) e, fechando o ciclo e o círculo, de histórias anônimas do coração da metrópole (extraídas de eles eram muitos cavalos, do contemporâneo Luiz Ruffato).