Oficina APROXIMAÇÃO AO DISTANCIAMENTO DE B. BRECHT no Feijão

Em setembro, trazemos ao Feijão a oficina Aproximação ao distanciamento de B. Brecht, ministrada pela atriz e diretora argentina Laura Brauer. Trata-se de uma primeira abordagem teórica e prática em torno das propostas de Bertolt Brecht para o teatro.

Sinopse

A oficina tem o objetivo de gerar um espaço para a reflexão e diante da ação conjunta possibilitar aos participantes interações que façam o corpo pensar, deem peso à palavra e transformem o ator em interlocutor do espectador. O intuito é buscar o sentido do discurso para a sua realização, fazer do palco um reflexo que permita um olhar crítico e preparar a cena para que daí advenha à análise e desta forma construir um teatro crítico que dialogue e não um que “diga”, que esteja à frente e não atrás de seu público.

Atividades

Exercícios brechtianos preparatórios. Encenações que estimulam o pensamento crítico. Trabalho de atuação com cenas. Análise da ação. Diálogo ator-personagem-distância. Pensamento crítico em cena. Trabalho para evidenciar contradições. Debate e problematização em torno das temáticas tratadas. Observação crítica e análise. Aproximação com o material teórico.

Conteúdo

– Introdução. Aproximação ao distanciamento de Brecht: Primeira distância com a fábula: narração. Enunciação da ação. Trabalho de conscientização acerca das alternativas. Escolhas.
– Teatro didático ou teatro de aprendizagem: Desmecanização do corpo e postura ideológica. Exploração de outras possibilidades expressivas. O que se quer ensinar? Exploração de meios para pôr em cena aquilo que se escolheu como primordial.
– Teatro épico. Abordagens rumo a um teatro dialético: Mostrar e evidenciar a alienação e a liberdade de cada personagem. Busca do ponto de vista “historizante”. Conscientização do que se faz para desnaturalizá-lo como inamovível e inquestionável. Não se trata de simplificar a caracterização, mas de desdobrar a contradição. Distanciamento. Sempre é em primeira pessoa (eu-ator), sempre em terceira pessoa (o autor/o personagem/o outro).

Período e Local

  • Quando: 18, 19, 21 e 22 de setembro de 2017, das 14h30 às 18h30h
  • Onde: Companhia do Feijão – Rua Dr. Teodoro Baima, 68 – República – com acesso a cadeirantes

Custo e Inscrições

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CATADOR DE CANÇÕES – únicas apresentações no Feijão

Recebemos em setembro para duas únicas apresentações o show Catador de Canções.

CATADOR DE CANÇÕES é um coletivo de músicos, compositores e intérpretes que se dedicam a pensar e viver a cidade musicalmente. Como fazer do concreto cinza uma poesia. Catador de Canções fala do cotidiano, faz crônicas dessa vida (não) útil das grandes cidades.

O show apresenta músicas autorais de ligadas à temática urbana. Partindo do pressuposto de que o gênero canção, no Brasil especialmente, sempre esteve ligado à dicção cotidiana popular, o grupo busca reunir diferentes vozes urbanas, criando um caleidoscópio que reproduz a intrincada arquitetura da cidade. Cada canção traz à tona um olhar diferente sobre as realidades da urbe multifária.

“Já eras, viu? A canção morreu mesmo. Caiu de madura. É sucata. Chiclete de clichês. De velhas conciliações. Sem o manto diáfano da cordialidade, restou o cadáver insepulto. Cadáver, segundo o vulgo, deriva de Caro Data Vermibus, carne dada aos vermes. Mas é um vulgo bem chique, porque só rico mesmo pra dar comida pra verme, né? Pobre vira é presunto. Por isso, na mão do artista em estado crítico, a canção enche linguiça, faz teses e outras firulas foliculárias. Se não dá pra comemorar a morte dessa megera domada que nunca deu camisa a ninguém, pelo menos ela agora virou molambo. Traje de arlequim sem grana pra desfilar…

Canção, colcha de retalho que nunca foi grande coisa, que não move montanhas e que não serve pra bandeira, que não tem anel de doutor e não dá lição de moral. E serve pra que, então? Pra incomodar, ora. Canção que não é propriedade, trombone embolado em que botam a bocarra de fome os desalojados do folclore. O imenso precariado sassariquento na viração sem futuro, Jocas, Mato Grossos e Marias Ninguéns expulsos da égide folclórica da malandragem privatizada e unplugged. O esquema é esse: arremedar, com baderna, canções remendadas, intercalar com tudo quanto é texto: notícias, poesias e outras inutilidades, pra fazer a crônica inviável das cidades que ninguém quer ver, reverberar de vozes canoras ou belicosas, acordes e desacordos”.

  • Aline Fernandesine Fernandes – voz
  • Ariel Coelho – bateria
  • Daniel Garroux – voz e violão
  • Fabio Atorinotorino – baixo
  • Márcia Fernandes – voz e flauta transversal
  • Vinicius Marques Pastorelli – guitarra
  • Realização: Igarapé Cultura e Arte (Aline Fernandesline Fernandes e Telita Aranteselita Arantes)
  • Apresentações: 16 e 17 de setembro, sábado e domingo, às 20h
  • Ingresso: pague quanto puder
  • Onde: Companhia do Feijão – R. Dr. Teodoro Baima 68 – República – com acesso a cadeirantes
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O EVANGELHO SEGUNDO JESUS, RAINHA DO CÉU no Feijão

Recebemos em setembro para duas únicas apresentações o espetáculo O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, com o grupo Queen Jesus Plays | BR.

Sinopse

E se Jesus vivesse nos tempos de hoje e fosse uma mulher transgênero? O espetáculo é uma mistura de monólogo e contação de histórias em um ritual que mostra Jesus no tempo presente, na pele de uma mulher transgênero. Histórias bíblicas são recontadas em uma perspectiva contemporânea, propondo uma reflexão sobre a opressão e a intolerância sofridas por pessoas trans* e minorias em geral na sociedade. Contamos histórias como O Bom Samaritano, A semente de mostarda e A Mulher Adúltera como se se passassem na atualidade, para contextualizá-las com a vivência cotidiana de transexuais, como a atriz Renata Carvalho, de 33 anos, que vive Jesus no espetáculo.

  • Texto: Jo Clifford
  • Atuação: Renata Carvalho
  • Tradução/adaptação: Natalia Mallo
  • Direção: Natalia Mallo
  • Assistência de direção: Gabi Gonçalves
  • Trilha sonora: Natalia Mallo
  • Iluminação: Anna Turra e Juju Augusta
  • Produção: Núcleo Corpo Rastreado | Thais Venitt
  • Apresentações: 9 e 10 de setembro, sábado e domingo, às 18h – com bate-papo após a apresentação do dia 9
  • Ingresso: gratuito
  • Onde: Companhia do Feijão – R. Dr. Teodoro Baima 68 – República – com acesso a cadeirantes

 

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DaTchau – rumo à estação GrandeAvenida – 2 ÚNICAS APRESENTAÇÕES

Realizamos nos dias 2 e 3 de setembro duas únicas apresentações do espetáculo DaTchau – Rumo à Estação GrandeAvenida, com texto e direção de Pedro Pires.

Sinopse

Uma pessoa (de classe média) tenta escrever uma narrativa que dê conta dos tempos sombrios que está vivendo. Nesta tentativa, ela sonha que um dia acorda indignada com o estado das coisas. E, no sonho, esta indignação a leva para a rua – para protestar. No início sozinha, depois coletivamente, em harmonia com outros indignados, toma um trem de metrô cujo destino é a estação GrandeAvenida, para onde está marcada uma grande manifestação. Durante a viagem as diferenças do coletivo indignado assumem o protagonismo, atiçam raivas e ódios e se transformam em conflitos oníricos, o sonho se transforma em pesadelo. E o destino final desta viagem será o do encarceramento deste coletivo num campo de trabalhos forçados.

O espetáculo

Com texto e direção de Pedro Pires, este espetáculo teve como base quatro materiais de investigação: as manifestações de 2013 vistas através do olhar de um cidadão da classe média urbana – indignado com o “estado das coisas”; os romances de Chico Buarque e textos do escritor italiano Primo Levi como materiais de estudo histórico e humano para a elaboração da dramaturgia; o irreverente personagem popular criado por Adoniran Barbosa para narrar/cantar suas próprias músicas; e por fim nossa pesquisa sobre os limites entre as linguagens épicas e dramáticas para a elaboração da encenação e das performances cênicas de atrizes e atores.

DaTchau trata do nosso tempo presente, da vida presente, dos homens presentes. Sem deixar de pensar e olhar de onde viemos e de provocar o pensamento: para onde queremos ir. Com a proposta de discutir os tempos turvos de hoje por meio de um teatro que NÃO se pretende fomentador de raivas e ódios insanos e pré-totalitários, mas que SIM se pretende fomentador de uma reflexão sensível, que busca pensar o mundo sob uma outra lógica social, econômica e humana. E desta forma talvez contribuir para a compreensão de nosso presente desagregado e carregado de radicalismos.

O campo de Dachau

Inspirador do título do espetáculo, o Campo de Dachau foi o primeiro campo regular de trabalhos forçados para prisioneiros políticos assentado pelo governo alemão.  A organização e rotina deste campo tornaram-se modelo para todos os que viriam depois. Inicialmente os internos eram os adversários do regime; com o passar do tempo outros grupos também foram ali encarcerados.

O processo de degradação tinha início já na sala de registro dos prisioneiros recém-chegados, em cujo teto foi pintado em letras grandes: Há um caminho para a liberdade. Suas balizas são: Obediência, Honestidade, Asseio, Sobriedade, Trabalho Duro, Disciplina, Sacrifício, Exatidão, Amor à Pátria.

Assim como em todos os outros campos alemães, Dachau trazia incrustado em seu portão de ferro: O TRABALHO LIBERTA.

  • texto e Direção: Pedro Pires
  • em cena: Fernanda Haucke, Fernanda Rapisarda, Guto Togniazzolo, Marcos Coin, Vera Lamy e Zernesto Pessoa
  • direção musical: Marcos Coin
  • cenografia: Pedro Pires
  • figurinos: Guto Togniazzolo e Arieli Marcondes
  • fuz: Guilherme Bonfanti
  • vídeos: Diogo Noventa
  • projeções: Bruna Lessa e Bruno Carneiro
  • fotos: Cacá Bernardes
  • operação de luz: Rafael Araújo
  • produção: Companhia do Feijão
  • apresentações: 2 e 3 de setembro, sábado e domingo, às 20h
  • ingressos: pague quanto puder
  • duração: 95 minutos
  • classificação etária indicativa: 14 anos
  • onde: Companhia do Feijão – R. Dr. Teodoro Baima 68 – República
  • capacidade: 80 lugares – COM ACESSO A CADEIRANTES
  • contato: feijao@companhiadofeijao.com.br
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Última quarta! – BADERNA no Feijão

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Último fim de semana! – NOMES PARA FURACÕES no Feijão

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Toda segunda! – JUÇARA MARÇAL e CONVIDADOS no Feijão

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CONVIDADOS em agosto no Feijão

ESPETÁCULOS E ARTISTAS CONVIDADOS

  • BadeRna – com Núcleo Bartolomeu de Depoimentos
  • Nós da voz 2 – com Juçara Marçal e parceiros
  • Nomes para furacões – com Grupo Pandora de Teatro

BadeRna

Com o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, em cinco únicas apresentações em agosto em nosso espaço, sempre às quartas-feiras às 21h.

A palavra baderna é exclusiva do idioma português do Brasil. Surgiu no fim do século XIX, referenciando-se à bailarina italiana Marietta Baderna, jovem artista liberal e inovadora, que causou grandes críticas ao introduzir entre os passos da dança clássica gestos do lundu, dança afro-brasileira que somente era dançada por escravos. Baderna, seu sobrenome era sinônimo da “dança divina”, e quando ela parou de dançar, por conta da perseguição ideológica conservadora, seus seguidores “os baderneiros”, começaram a ir aos teatros e gritar: “Cadê a Baderna?”. Com o tumulto que causavam, seu nome passa a dar significado ao oposto de toda a sua bela e divina dança. “Baderna” passou a significar “confusão, desordem, ausência de regras.” Seu nome, introduzido na língua portuguesa, deixa sua história mal contada no esquecimento de uma existência curta.

Sinopse

Seguindo essa curiosa narrativa, BadeRna é um espetáculo performático que utiliza a história da bailarina Maria Baderna (como ficou conhecida no Brasil), como pano de fundo para referenciar o processo histórico da mestiçagem brasileira. O espetáculo teve sua estreia em 2014 na antiga sede do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, sob a iminência de seu despejo, que desencadeou uma luta política contra as grandes incorporadoras que ameaçam os espaços culturais na cidade de São Paulo até os dias de hoje. BadeRna mistura e reinventa de maneira não hierárquica essas referências fazendo jus ao verbo “badernar”, trazendo referências da dança clássica, do lundu, tudo com um toque da dança de rua.

  • Concepção Geral e Atriz-Dançarina: Luaa Gabanini
  • Direção: Roberta Estrela D’Alva
  • Direção Musical: Eugênio Lima
  • Poemas de Ação Dramática: Claudia Schapira e Luaa Gabanini
  • Percussão: Alan Gonçalves
  • Desenho de Luz: Carol Autran
  • Operação de Luz: Vânia Joconis
  • Técnico de Som: Viviane Barbosa
  • Direção de produção e Administração: Mariza Dantas
  • Apresentações: 2, 9, 16, 23 e 30 de agosto, quartas às 21h
  • Ingressos: pague quanto puder
  • Duração: 60 minutos
  • Classificação: 12 anos

NÓS DA VOZ 2

Juçara Marçal volta à nossa casa em agosto para a segunda edição de seu projeto Nós da voz, em quatro únicos shows com múltiplos parceiros, sempre às segundas-feiras às 20h30.

Em 2016 Juçara Marçal realizou na Companhia do Feijão a primeira edição do projeto Nós da voz. Nas quatro sessões que integraram a temporada, houve o encontro de diversos cantores e instrumentistas para o mergulho no improviso livre, tendo a voz como o recurso sonoro principal do jogo.

Nesta segunda edição há o desejo de aprofundamento de algumas questões surgidas na primeira temporada e a chegada de outros participantes. Estarão presentes, por exemplo, Sandra Ximenez, Marcelo Pretto, Ava Rocha, de volta ao desafio, em formações diferentes das do ano passado. E chegam para participar pela primeira vez Thiago França, Tulipa Ruiz, Alessandra Leão, entre outros artistas especialíssimos.

Em Nós da voz 2 novos desafios estão em pauta, e a voz será, ainda mais, a protagonista de cada sessão.

Programação – de 7 a 28 de agosto, segundas às 20h30

participam ao lado de Juçara Marçal:

  • dia 7: Juliana Perdigão, Thiago França e Tulipa Ruiz
  • dia 14: Alessandra Leão, Marcelo Pretto e Susana Travassos
  • dia 21: Anna Zêpa e Sandra Ximenez
  • dia 28: Ava Rocha, Bella, Negro Leo e Thomas Rohrer
  • Ingressos: $ 30 e $ 15
  • Duração: variável
  • Classificação: 12 anos

NOMES PARA FURACÕES

Ainda em agosto o Grupo Pandora de Teatro realiza curta temporada de seu novo espetáculo Nomes para furacões em nossa sede.

O espetáculo propõe um olhar crítico sobre as raízes da crise do processo migratório, da brutalidade da guerra e despotismo da vida sem esperança. Seu título evoca a prática de nomear algo que esta além do que entendemos como humano, uma necessidade de humanizar algo que vai além da nossa compreensão.

Partindo do pensamento de Zygmunt Bauman em seu livro Estranhos à nossa porta, a montagem traça uma reflexão sobre a violação dos Direitos Humanos, as consequências dos conflitos bélicos do nosso século, o papel da cooperação humanitária internacional para a minimização de seus efeitos e a separação entre “nós” e “eles”, norteados pelo princípio de que as migrações estão relacionadas a uma responsabilidade moral, que foi perdida e deve ser recuperada.

A dramaturgia dá continuidade na pesquisa do Grupo Pandora de Teatro em jogo de sonho e narrativas oníricas, apresentando situações de uma família que encara a possibilidade e os desafios de fugir de seu país em função da violência da guerra e da brutalidade da fome, vitimas dos equívocos das políticas de separação e da exclusão.

Sinopse

Em uma cidade devastada pela guerra, Alice busca formas de salvar seu pai e de escaparem com vida da destruição. Em um looping temporal, exploram possibilidades de sobrevivência enquanto dois soldados tentam cumprir sua missão. Nomes para furacões é um jogo cênico fragmentado, dinâmico e poético, um delírio sobre a crise humanitária de nosso tempo.

  • Encenação e dramaturgia: Lucas Vitorino
  • Elenco: Caroline Alves, Filipe Pereira, Rodolfo Vetore e Wellington Candido
  • Cenografia: Thalita Duarte
  • Figurino: Grupo Pandora de Teatro e Thais Mukai
  • Iluminação e sonoplastia: Grupo Pandora de Teatro
  • Maquiagem: Rodolfo Vetore
  • Produção: Thalita Duarte
  • Temporada: de 12 a 27 de agosto, sábados às 20h e domingos às 19h
  • Ingressos: pague quanto puder
  • Duração: 80 minutos
  • Classificação: 12 anos

 

  • ONDE: Companhia do Feijão – Rua. Dr. Teodoro Baima 68 – República
  • Bilheteria: aberta uma hora antes das apresentações
  • Lotação: 60 lugares – COM ACESSO A CADEIRANTES
  • Contato: feijao@companhiadofeijao.com.br
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Moçambicano KLEMENTE TSAMBA no Feijão

Recebemos nos dias 8 e 9 de julho em nossa sede o espetáculo Nos tempos de Gungunhana, com criação e interpretação do moçambicano Klemente Tsamba, em turnê por vários estados brasileiros. Serão duas únicas apresentações.

O espetáculo é baseado na tradição oral dos contadores de histórias africanos, onde um único elemento se desdobra em vários personagens para, com a cumplicidade do público, retratar alguns episódios mágicos paralelos à vida do célebre rei tribal moçambicano Gungunhana.

O texto da peça é em parte uma recolha dos relatos de “Ualalapi”, obra premiada do escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa. Um conjunto de histórias dentro de uma história, uma obra que parte de um tempo histórico e de uma cultura particular para depois seguir numa viagem universalista e sem fronteiras.

Sinopse

Era uma vez um guerreiro da tribo tsonga chamado Umbangananamani, que fora em tempos casado com uma linda mulher da tribo Macua, de nome Malice. Não tiveram filhos. Mas tentaram muito. Este é o mote que dá início ao grande karingana ou conto tradicional sobre a vida de um simples guerreiro, mas que muito rapidamente se vai transformar numa sequência de outros pequenos karinganas que relatam aspectos curiosos ligados à vida na corte do rei Gungunhana, onde a crueldade e as mortes por vezes se misturam com o humor, em cada karingana contado e cantado com a graça dos ritmos ritmos tradicionais de Moçambique. No entanto, este karingana, não tem nada a ver com Gungunhana! Voltemos então à história: Karingana wa Karingana!

  • Criação/Interpretação: Klemente Tsamba
  • Textos originais: Ungulani Ba Ka Khosa
  • Apoio/Assistência criativa: Filipa Figueiredo, Paulo Cintrão e Ricardo Karitsis
  • Adereços e figurinos: KlementeTsamba
  • Fotografia: Margareth Leite
  • Duração: 60 min
  • Recomendação etária: 16 anos.
  • Apresentações: 8 e 9 de julho, sábado e domingo às 20h
  • Ingressos: pague quanto puder
  • Onde: Companhia do Feijão – R. Dr. Teodoro Baima 68 – República
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Exposição TUOV 50 anos

No primeiro final de semana de julho, dias 01 e 02, sábado e domingo, acontecerá uma festa teatral no bairro do Bom Retiro. O Teatro Popular União e Olho Vivo, também conhecido como TUOV, abre as portas de sua sede com uma série de convidados muito especiais para celebrar e relembrar histórias de cinco décadas do grupo que segundo Augusto Boal é um dos mais importantes coletivos de teatro popular das Américas e do mundo.

Grupos de teatro e artistas das cidades de São Paulo e Porto Alegre, se revezarão entre encenações, leituras dramáticas, cenas comentadas, cenas-cantadas, músicas e adaptações de grande parte das peças realizadas pelo União e Olho Vivo, além de uma peça inédita do dramaturgo Cesar Vieira, O Transplante. Haverão também Mesas de Relatos com a participação de trabalhadores do teatro, incluindo ex-membros do TUOV e estudiosos do campo das artes, público, que acompanha e/ou já participou dessa longa trajetória.

Entre as importantes personalidades e coletivos teatrais já confirmados para participar desta grande celebração de 50 anos do União e Olho Vivo marcam presença os amigos e parceiros: Celso Frateschi, Evaristo Martins de Azevedo, Luiz Alberto Sanz, Luiz Carlos Moreira(Engenho Teatral), Marisa Dutra, Oswaldo Acaleo, Brava Companhia, Cia São Jorge de Variedades, Companhia Antropofágica, Companhia do Feijão, Sergio Carvalho e
a Companhia do Latão, Levanta Favela (POA), Luís Mármora e o Samba do Bule (grupo nascido na sede do Olho Vivo que tem como fundador Cesinha Pivetta, também integrante do TUOV ). A história oral do União e Olho Vivo e suas relações resgatará o que está hoje guardado em prateleiras e gavetas, reavivando a memória, por meio de lembranças ainda
não registradas de pessoas que conviveram com o grupo e acompanharam sua trajetória em distintos momentos. A população é convidada para uma imersão na história do TUOV, contada por quem participou de alguma forma desta longa jornada.

Serão dois dias de Relatos-Ações, uma espécie de festival sobre o Teatro Popular União e Olho Vivo, um encontro de parceiros e amigos na sede, localizada no bairro do Bom Retiro. Relatos – “O União e Olho Vivo: Teatro Popular em Resistência” trará à tona uma “história de relações” entre grupos de teatro e os seus desdobramentos. Pretende, assim, desvelar grande parte da realidade do movimento de teatro durante cinco décadas. Um ato teatral de dois dias que vai às origens dos caminhos percorridos pelos vários grupos.

PROGRAMAÇÃO “RELATOS TUOV 50 ANOS”

01 de Julho de 2017 – Sábado

  • 14h30: Abertura ao Público
  • 15h00: Mesa de Relatos – O União e Olho Vivo: O Teatro Popular em Resistência – Parte I – Convidados: Evaristo Martins de Azevedo, Luiz Carlos Moreira e Marisa Dutra
  • 16h45: Companhia do Latão – apresenta a peça O Evangelho Segundo Zebedeu (1970), de Cesar Vieira
  • 18h15: Uma Estória de Adonirans… (Barbosinha Futebó Crubi – Uma História de Adonirans) com Luís Mármora
  • 19h30: Transplante (1982), de Cesar Vieira com Companhia Antropofágica
  • 20h30: João Cândido do Brasil – A Revolta da Chibata (2001), de Cesar Vieira com Companhia São Jorge de Variedades
  • 20h30: Samba do Bule – Show: Samba do Bule 10 Anos

02 de Julho de 2017 – Domingo

  • 14h30 : Abertura ao Público
  • 15h00: Mesa de Relatos : O União e Olho Vivo: O Teatro Popular em Resistência – Parte II – Convidados: Celso Frateschi, Luiz Alberto Sanz e Oswaldo Acaleo
  • 16h45: Sepé: Guarani Kuery Mbaraeté (Morte aos Brancos – A Lenda do Sepé Tiarajú (1984), de Cesar Vieira) com Levanta Favela
  • 18h00: Rei Momo – Uma Sinopse Animada para o TUOV (Rei Momo (1972), de Cesar Vieira) com Companhia do Feijão
  • 19h30: Corinthians, Meu Amor – Segundo Brava Companhia – Uma homenagem ao Teatro Popular União e Olho Vivo (Corinthians, Meu Amor (1966), de Cesar Vieira) com Brava Companhia

Além do evento, o grupo segue com a exposição “TUOV 50 ANOS – Em Busca de um Teatro Popular” que tem curadoria de Alexandre Benoit e resgata a trajetória do próprio grupo como um capítulo vivo da cultura brasileira. A exposição conta os 50 anos de trabalho do TUOV (1966 a 2016) através de imagens, cartazes, vídeos, objetos de cena, figurinos, narrando de forma simples as andanças do grupo pelas periferias de São Paulo, pelos quatro cantos do Brasil e pelo mundo afora.

Na abrangente mostra, resgatou-se um material até então inédito de fotos, vídeos e depoimentos (de Antonio Cândido, Iná Camargo, Zé Renato, entre outros) que atestam a dura luta por uma arte engajada, levando o teatro para salões paroquiais, associações de bairro, misturando sem cerimônia o teatro com reivindicações por pavimentação de ruas, creches e moradia digna. Na exposição, é apresentada a carreira internacional do Olho Vivo que vai desde os esforços pela interligação latinoamericana de grupos teatrais até a repercussão das montagens e dos roteiros em países como França, Itália, Polônia e Egito.

Em paralelo ao TUOV, Idibal Pivetta, advogado (nome verdadeiro de César Vieira), exerceu intensa militância no período da ditadura, engajando-se pela liberdade de perseguidos políticos e pela memória dos desaparecidos do regime militar. Esta luta também é contada na exposição, pois confunde-se com a própria existência do TUOV.

Todo o evento será registrado em audiovisual, por Nana Ribeiro e André Cruz fazendo parte do projeto de um filme documentário que tem a direçao de Graciela Rodriguez, integrante do Olho Vivo há mais de 25 anos.

Se você ainda não conhece o trabalho do TUOV, não perca a oportunidade de se aproximar das particularidades deste grupo que já foi visto por mais de 4 milhões de pessoas ao redor do mundo e que resiste bravamente com seu teatro popular na cena cultural e social brasileira. O TUOV abre as portas da sua sede mais uma vez para receber o público e contar a sua história. Como diz Neriney Moreira, um dos fundadores: “esta é a nossa vida!”

O projeto de comemoração dos 50 anos do União e Olho Vivo tem patrocínio da 28ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para Cidade de São Paulo.

EXPOSIÇÃO: “TUOV 50 ANOS – EM BUSCA DE UM TEATRO POPULAR”
A exposição reúne mais de 300 imagens, vídeos, áudios, figurinos e adereços cênicos, para contar um pouco dessa história, lançando luz sobre as aventuras, alegrias e a resistência do TUOV. A proposta busca também apontar para o futuro, pois a luta por uma arte popular é tão atual hoje como nos anos 70, e o TUOV (agora com o Samba do Bule) demonstra a mesma disposição para seguir por mais 50 anos sulcando os mares da fantasia, desfraldando as bandeiras da utopia! Temporada: até 02/07/2017- quarta a sábado – 14h às 18h (excepcionalmente o domingo 02/07/17 de encerramento)

Programação Gratuita
Classificação: Livre
Informações: teatropopularuniaoeolhovivo@gmail.com /tuov50anos.producao@gmail.com
Local: Teatro Popular União e Olho Vivo, R. Newton Prado 766, Bom Retiro – São Paulo
Telefone: 011 3331-1001
Mais informações: uniaoeolhovivo.com.br / www.facebook.com/tuovivo

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