cabaré coliseu (2019)

espetáculo em repertório

Fruto do projeto Perversidades brasileiras (a hora do Show), o espetáculo se desenvolve em formato de cabaré, a partir da fusão de duas personagens literárias femininas – Martinha, presente na crônica O punhal de Martinha, de Machado de Assis, e Jenny dos Piratas, retratada na Ópera dos três vinténs por Bertolt Brecht. A personagem resultante, uma mulher brasileira trabalhadora e pobre dos dias atuais, se vê envolvida num caso de assassinato de uma celebridade midiática artística, do qual é acusada. Durante sua trajetória para se livrar da acusação, ela tem seus princípios postos à prova ao ser confrontada com diversos modos de funcionamento morais, sociais e econômicos viciados da sociedade brasileira contemporânea.

Cabaré Coliseu desenvolve-se a partir de uma estrutura cabarelística em três planos. O dos narradores-atores – que se perguntam o que estariam fazendo ali. O dos Mestres de Cerimônia, que trabalham junto ao espectador um cabaré imaginário. Ou seja, sugerem através da narrativa imagens e situações do que estaria acontecendo ali naquele palco vazio, e dali surgem figuras de pensadores que conversam sobre conceitos que estruturariam o pensamento de seu tempo sobre o “homem e a sociedade”. E finalmente, num terceiro plano, os mesmos Mestres de Cerimônia, além desta função primordial, desenvolvem situações e histórias como números cabarelísticos. E se revezam como narradores-personagens. Neste terceiro plano trabalha-se sobre a figuras de pessoas comuns – figuras femininas – acossadas em vários momentos históricos pela cultura hegemônica na luta de classes. Pela dominação Masculina/Capitalista.

O espetáculo traz em sua dramaturgia e encenação algumas histórias e conceitos. Histórias e Conceitos que, igualados em suas funções fabulares teatrais, seguem uma mesma linha, ou seja, que buscam um sentido da encenação para a recepção – buscam a comunicação ativa com um espectador ativo. Um sentido não final, fechado, mas um sentido em leituras presentes do que fomos e do que pretendemos SER. Significados presentes para as experiências de vida pelas quais passamos. Que pretendem fazer DIALOGAR (no sentido utópico) o EU com o EUS e os EUS com os NÓS HISTÓRICOS.

Uma recolocação do gênero épico/narrativo para os dias atuais. Um “continuar a pensar” sobre as estruturas e conteúdos teatrais que mirem no “Futuro da Realidade”. Uma (…) Realidade menos morta (…) – para citar o poeta da canção.

Assim, a forma CABARÉ calcada em Números, situações, se reapresenta para a Companhia do Feijão como um caminho para o desenvolvimento de uma estrutura narrativa geral que sintetiza acontecimentos que independem da forma dramática. Uma independência da unidade dramática Aristotélica – ainda hegemônica no imaginário da maioria dos espectadores teatrais.

A estrutura Cabaré/fabular (tanto das histórias quanto dos conceitos – tratados como histórias) ressurge e pretende estimular o espectador para que ele “trabalhe” com o espetáculo que lhe é apresentado. Permite que ele jogue, brinque com os conteúdos e com as formas (que lhes são apresentados) sem esquecer do primeiro princípio teatral: a Diversão.

Ficha técnica – 2019

  • Texto e Direção: Pedro Pires
  • Em cena: Eduardo Schlindwein, Fernanda Haucke e Zernesto Pessoa
  • Cenário: Pedro Pires
  • Figurinos: Silvana Marcondes
  • Iluminação: Pedro Pires e Zernesto Pessoa
  • Sonoplastia: Pedro Semeghini
  • Fotos e vídeo: Alan Siqueira
  • Colaboração artística: Vera Lamy
  • Assistência de Figurinos: Isa Santos
  • Assistência de Vídeo: Débora Xavier
  • Estagiária: Aurora Bolaffi Pires

Cabaré Coliseu é o nosso décimo-quarto espetáculo e estreou em 19 de janeiro de 2019 na sede da companhia em São Paulo.