DaTchau – rumo à estação GrandeAvenida em cidades do interior paulista

Iniciamos em 29 março uma série de visitas a 8 municípios paulistas com nosso espetáculo DaTchau – rumo à estação GrandeAvenida, contemplado pelo PROAC 2018 da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. As 4 primeiras apresentações acontecerão nos municípios de Mococa, São Simão, Itirapina e Mogi Mirim.

APRESENTAÇÕES GRATUITAS

  • Mococa: 29 de março, sexta-feira, 21h / Teatro Municipal de Mococa – Praça Marechal Deodoro 82
  • São Simão: 30 de março, sábado, 21h / Teatro Carlos Gomes – Rua Rodolfo Miranda 277
  • Itirapina: 31 de março, domingo, 20h / Anfiteatro Municipal Monsenhor José Maria Fructuoso Braga – Rua 5, 195
  • Mogi Mirim: 5 de abril, sexta-feira, 21h / Teatro do Centro Cultural Professor Lauro Monteiro de Carvalho e Silva – Av. Santo Antonio 430

Sinopse

Uma pessoa (de classe média) tenta escrever uma narrativa que dê conta dos tempos sombrios que está vivendo. Nesta tentativa ela sonha que um dia acorda indignada com o estado das coisas. E, no sonho, esta indignação a leva para a rua – para protestar. No início sozinha, depois coletivamente, em harmonia com outros indignados, toma um trem de metrô cujo destino é a estação GrandeAvenida, para onde está marcada uma grande manifestação. Durante a viagem as diferenças do coletivo indignado assumem o protagonismo, atiçam raivas e ódios e se transformam em conflitos oníricos. O sonho se transforma em pesadelo. E o destino final desta viagem será o do encarceramento deste coletivo num campo de trabalhos forçados.

Pesquisa

Este espetáculo trata do nosso tempo presente, da vida presente, dos homens presentes. Sem deixar de pensar e olhar de onde viemos e de provocar o pensamento: para onde queremos ir!

Discutir os tempos turvos de hoje através de um teatro que NÃO se pretende fomentador de raivas e ódios insanos e pré-totalitários, mas que SIM se pretende fomentador de reflexão sensível (cérebros e corações pulsando juntos) é nossa tarefa. E com ele acreditamos contribuir para a compreensão deste nosso presente desagregado e carregado de radicalismos.

Para a sua concepção partimos de quatro materiais de estudo:

  • As manifestações que tomaram as ruas das cidades brasileiras a partir de 2013;
  • As nossas experiências/memórias de vida, especificamente no que tange às lembranças/participação nos movimentos de massa que foram para as ruas a partir das Diretas Já;
  • Os romances de Chico Buarque;
  • As obras de Primo Levi.

Nos estudos (práticos e teóricos) sobre os romances de Chico Buarque encontramos dois materiais de interesse. Um que traz narrativas sobre o Brasil histórico – histórias de personagens brasileiros que remontam ao século XIX e chegam até os anos 90 do século passado. E, o mais relevante, uma sequência de narradores que contam aquelas histórias (mais antigas ou mais novas) a partir do período pós-redemocratização (um momento de esperança no progresso social onde as forças reacionárias se encolheram – por exaustão e não por extinção). Porém encontramos uma contradição fundamental para tentarmos nos entender hoje, que gerou a seguinte pergunta: como é que narradores (os narradores de Chico) num momento histórico de tantas esperanças eram todos – sem exceção – tão desconjuntados e infelizes? Encontramos então, nesses narradores desconjuntados, erráticos e “fracassados” a semente de um narrador de hoje – que tenta contar uma história relevante para os nossos dias. Um narrador da classe média, pela metade, que não sabe o final da história que está contando. Que é objeto e não sujeito de sua própria história. Como estratégia dramatúrgica, esse narrador foi colocado dentro de seu próprio sonho: indignado com o estado das coisas e levado pelo sonho a uma manifestação.

Ao redor deste “núcleo narrativo”, do narrador pela metade, construímos outro, que são os “reais narradores” do narrador, que contam a história daquele que tenta sintetizar seu tempo e a fazem transitar do campo narrativo-dramático (ou lírico) para o Épico.

Este outro núcleo é formado por figuras que se assumem como seres de ficção, ou seja, que não pertencem ao mundo real – o nosso de hoje. E que portanto podem ter o distanciamento necessário para encaminhar uma possível história para este tempo, encaminhando o final da fábula inspirados pelos testemunhos de Primo Levi – judeu italiano que sobreviveu a um campo de concentração nazista onde se lia na porta de entrada: O TRABALHO LIBERTA.

Motivo inspirador do título: o Campo de Dachau

Dachau foi o primeiro campo de concentração regular para prisioneiros políticos assentado pelo governo Nacional Socialista, isto é, nazista, em 1933, no sul da Alemanha.  A organização e rotina deste campo tornaram-se modelo para todos os que viriam depois.

Inicialmente, os internos eram alemães comunistas, socialdemocratas, sindicalistas e outros adversários políticos do regime nazista. Com o passar do tempo, outros grupos também foram encarcerados em Dachau, entre eles ciganos, homossexuais, Testemunhas de Jeová e aqueles considerados “associais”, além de criminosos contumazes. Durante os primeiros anos relativamente poucos judeus estiveram presos ali, com exceção dos que pertenciam a uma das categorias mencionadas – realidade posteriormente invertida com o aumento da perseguição antissemita.

O processo de degradação tinha início já na sala de registro dos prisioneiros recém-chegados, em cujo teto foi pintado em letras grandes: Há um caminho para a liberdade. Suas balizas são: Obediência, Honestidade, Asseio, Sobriedade, Trabalho Duro, Disciplina, Sacrifício, Autenticidade, Amor à Pátria.

O número de prisioneiros em Dachau, de 1933 a 1945, ultrapassou os 188 mil e provavelmente nunca se saberá ao certo o número total de suas vítimas fatais.

Ficha Técnica

  • Espetáculo: DaTchau – Rumo à Estação GrandeAvenida
  • Direção e Dramaturgia: Pedro Pires
  • Em cena: Fernanda Haucke, Fernanda Rapisarda, Guto Togniazzolo, Marcos Coin, Vera Lamy e Zernesto Pessoa
  • Direção Musical: Marcos Coin
  • Cenografia: Pedro Pires
  • Figurinos: Guto Togniazzolo e Arieli Marcondes
  • Luz: Guilherme Bonfanti
  • Vídeos: Diogo Noventa
  • Projeções: Bruna Lessa e Bruno Carneiro
  • Operação de luz: Pedro Pires
  • Operação de vídeo: Eduardo Schlindwein
  • Fotos e Vídeo: Cacá Bernardes
  • Produção: Companhia do Feijão
  • Classificação etária indicativa: 12 anos
  • Duração: 70 minutos
  • Apoios: Prefeituras Municipais de Mococa, São Simão, Itirapina e Mogi Mirim
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