CATADOR DE CANÇÕES – únicas apresentações no Feijão

Recebemos em setembro para duas únicas apresentações o show Catador de Canções.

CATADOR DE CANÇÕES é um coletivo de músicos, compositores e intérpretes que se dedicam a pensar e viver a cidade musicalmente. Como fazer do concreto cinza uma poesia. Catador de Canções fala do cotidiano, faz crônicas dessa vida (não) útil das grandes cidades.

O show apresenta músicas autorais de ligadas à temática urbana. Partindo do pressuposto de que o gênero canção, no Brasil especialmente, sempre esteve ligado à dicção cotidiana popular, o grupo busca reunir diferentes vozes urbanas, criando um caleidoscópio que reproduz a intrincada arquitetura da cidade. Cada canção traz à tona um olhar diferente sobre as realidades da urbe multifária.

“Já eras, viu? A canção morreu mesmo. Caiu de madura. É sucata. Chiclete de clichês. De velhas conciliações. Sem o manto diáfano da cordialidade, restou o cadáver insepulto. Cadáver, segundo o vulgo, deriva de Caro Data Vermibus, carne dada aos vermes. Mas é um vulgo bem chique, porque só rico mesmo pra dar comida pra verme, né? Pobre vira é presunto. Por isso, na mão do artista em estado crítico, a canção enche linguiça, faz teses e outras firulas foliculárias. Se não dá pra comemorar a morte dessa megera domada que nunca deu camisa a ninguém, pelo menos ela agora virou molambo. Traje de arlequim sem grana pra desfilar…

Canção, colcha de retalho que nunca foi grande coisa, que não move montanhas e que não serve pra bandeira, que não tem anel de doutor e não dá lição de moral. E serve pra que, então? Pra incomodar, ora. Canção que não é propriedade, trombone embolado em que botam a bocarra de fome os desalojados do folclore. O imenso precariado sassariquento na viração sem futuro, Jocas, Mato Grossos e Marias Ninguéns expulsos da égide folclórica da malandragem privatizada e unplugged. O esquema é esse: arremedar, com baderna, canções remendadas, intercalar com tudo quanto é texto: notícias, poesias e outras inutilidades, pra fazer a crônica inviável das cidades que ninguém quer ver, reverberar de vozes canoras ou belicosas, acordes e desacordos”.

  • Aline Fernandesine Fernandes – voz
  • Ariel Coelho – bateria
  • Daniel Garroux – voz e violão
  • Fabio Atorinotorino – baixo
  • Márcia Fernandes – voz e flauta transversal
  • Vinicius Marques Pastorelli – guitarra
  • Realização: Igarapé Cultura e Arte (Aline Fernandesline Fernandes e Telita Aranteselita Arantes)
  • Apresentações: 16 e 17 de setembro, sábado e domingo, às 20h
  • Ingresso: pague quanto puder
  • Onde: Companhia do Feijão – R. Dr. Teodoro Baima 68 – República – com acesso a cadeirantes
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