70 ANOS SEM MÁRIO DE ANDRADE

A Companhia do Feijão, em parceria com o Sesc Ipiranga, celebra a partir de 1º de agosto a passagem do 70º aniversário da morte de Mário de Andrade com um conjunto de atividades artísticas à sua altura e maneira: trabalho artístico e de reflexão intenso, aliado a um painel minimamente representativo da infinidade de áreas por onde ele incansavelmente transitou, olhando e agindo com profundidade reveladora sobre o Brasil e os brasileiros, seu imaginário, identidades e conflitos.

A relação de companhia com a obra deixada por Mário de Andrade é antiga e determinante, espelhada numa história de vida que definiu, além de um vasto campo artístico de atuação, uma trajetória de intelectual interessado em desenvolver e estimular a busca por caminhos e linguagens que pudessem abarcar artisticamente as inumeráveis formas e significados culturais brasileiros, de maneira concreta, em compasso com o mundo contemporâneo e avessa a nacionalismos populistas. Um homem à frente do seu tempo.

PROGRAMAÇÃO

Espetáculos com a Companhia do Feijão

  • O ó da viagem – de 1º a 9 de agosto, sextas e sábados às 21h, domingos às 18h
  • Manuela – de 11 de agosto a 7 de outubro, terças e quartas às 21h30
  • Armadilhas brasileiras – de 14 a 16 de agosto, sexta e sábado às 21h, domingo às 18h

Bate papos com convidados

  • Poética e visão social na obra de Mário de Andrade – com Sérgio de Carvalho e Pedro Pires – mediação de Vera Lamy – 17 de setembro, quinta às 19h30
  • Cultura e política em Mário de Andrade – com Celso Frateschi e Luis Carlos Moreira – mediação de Pedro Pires – 24 de setembro, quinta às 19h30

Oficinas com a Companhia do Feijão

  • Transposição cênica de contos de Mário de Andrade – coordenação de Pedro Pires – 05, 12 e 19 de setembro, sábados das 11h às 13h
  • Laboratório de leitura e escrita – coordenação de Zernesto Pessoa – 16, 23 e 30 de setembro, quartas das 19h30 às 21h30

Ingressos e inscrições em http://bit.ly/70AnosSemMariodeAndrade

ONDE: Sesc Ipiranga – R. Bom Pastor 822 – (11) 3340.2000

CONTEÚDOS

O ó da viagem

O ó da viagem - foto de José Romero (2)_bxTerceiro espetáculo da companhia, nascido durante turnê de “Movido a feijão” pelo Sertão do Cariri (Pernambuco e Paraíba), “O ó da viagem” mistura os diários de viagem do grupo com os de Mário de Andrade sobre a mesma região, publicados postumamente como “O turista aprendiz”, para lembrar o cotidiano da seca, o migrante, o anti-herói do sertão (sobrevivente?) e a fina-flor da aristocracia rural. Viajantes-narradores paulistas observam com olhos de estrangeiros o universo sertanejo do Nordeste. Desdobrando-se em múltiplos personagens, o coro de atores utiliza a linguagem do teatro popular para alternar episódios cômicos e trágicos. Com Fernanda Rapisarda, Flávio Pires, Irací Tomiatto, Pedro Pires e Zernesto Pessoa. Direção e Dramaturgia: Pedro Pires. Direção musical: Walter Garcia. Cenografia e adereços: Petronio Nascimento. Figurinos, desenhos e pinturas: Guto Togniazzolo e Edu Garudah. Iluminação: Pedro Pires e Zernesto Pessoa. Boneco: Mônica Simões. Operador de luz: Rafael Araújo. Duração: 65 minutos. Livre. 

Manuela

Manuela - foto de José RomeroManuela é uma história de amizade entre o escritor e sua máquina de escrever. É o nome dado por Mário de Andrade à sua máquina em homenagem ao escritor e amigo Manuel Bandeira. É do ponto de vista da máquina a narrativa da história. É ela que conta quem foi esse brasileiro, através da poesia e da correspondência do morador da Lopes Chaves e das suas reflexões de companheira. Concepção e dramaturgia: Vera Lamy. Direção musical e música original: Lincoln Antonio. Em cena: Vera Lamy e Lincoln Antonio. Preparação vocal: Rodrigo Mercadante. Preparação corporal: José Romero. Cenografia: Pedro Pires. Iluminação: Zernesto Pessoa. Imagem: Leandro Goddinho. Operador técnico: Rafael Araújo. Livre.

Armadilhas brasileiras

Armadilhas Brasileiras - foto de José RomeroArtistas de um grupo de teatro estão em processo de criação de uma peça sobre a crise econômica mundial de 1929, e suas consequências para os trabalhadores brasileiros. Durante o ensaio, porém, surge entre os atores um conflito sobre os rumos da história, com questionamentos antagônicos sobre conteúdos e formas de representação. O acirramento deste embate de opiniões leva a um “golpe cênico”, que muda a história que vinha sendo contada e traz ao foco da discussão o próprio fazer artístico. A montagem tem como plataforma as obras “Café”, “O banquete” (inacabada) e “A meditação sobre o Tietê”, de Mário de Andrade, combinadas com trechos livremente inspirados em obras de Bertolt Brecht, Groucho Marx, Machado de Assis, Oswald de Andrade, Samuel Beckett e Vladimir Maiakovski. Com Fernanda Haucke, Fernanda Rapisarda, Flávio Pires, Guto Togniazzolo e Vera Lamy. Argumento e direção: Pedro Pires. Dramaturgia: Pedro Pires e Zernesto Pessoa. Cenário: Fernanda Aloi e Pedro Pires. Figurinos: Daniel Infantini e Guto Togniazzolo. Direção musical: Flávio Pires e Lucas Vasconcelos. Músicas: núcleo artístico da companhia e Lucas Vasconcelos. Iluminação: Pedro Pires e Zernesto Pessoa. Criação em vídeo: Leandro Goddinho. Operador de vídeo: Rafael Araújo. Duração: 120 minutos. Recomendação etária: 14 anos.

Poética e visão social na obra de Mário de Andrade

Encontro em que serão abordadas relações entre arte e preocupação social na obra do escritor, músico e pesquisador Mário de Andrade, seu valor universal, sua contribuição para a teoria artística e a importância de seus pensamentos para a criação teatral contemporânea. Com Sérgio de Carvalho (diretor, dramaturgo, crítico, pesquisador e professor da Universidade de São Paulo e um dos fundadores da Companhia do Latão) e Pedro Pires (diretor, dramaturgo, professor do Teatro Escola Célia Helena e um dos fundadores da Companhia do Feijão). Mediação de Vera Lamy (atriz e dramaturga da Companhia do Feijão). Acima de 12 anos.

Cultura e política em Mário de Andrade

A partir da intensa atuação de Mário de Andrade nos campos de gestão e políticas culturais (foi diretor-fundador do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo) e sua luta para a democratização dos bens culturais e sua preservação histórica, este encontro promoverá reflexões sobre os dilemas vividos pelos artistas em meio às contradições impostas pelo desenvolvimento capitalista e as tentativas e dificuldades de organização e implementação de políticas públicas condizentes com as diferentes realidades nacionais. Com Celso Frateschi (ator, diretor, autor, professor da Escola de Arte Dramática da USP, um dos fundadores do Teatro Núcleo Independente, Teatro Pequeno e Ágora – Centro para o Desenvolvimento Teatral, além de gestor cultural público em nível municipal e federal) e Luis Carlos Moreira (diretor e dramaturgo fundador do Engenho Teatral e um dos principais articuladores para a criação do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo). Mediação de Pedro Pires (diretor e dramaturgo da Companhia do Feijão). Acima de 12 anos.

Transposição cênica de contos de Mário de Andrade

Exercícios cênicos desenvolvidos a partir de personagens e histórias do autor. Coordenação de Pedro Pires, fundador, diretor e dramaturgo da Companhia do Feijão. Para atores. Recomendado para maiores de 16 anos.

Laboratório de leitura e escrita

A partir de estímulos temáticos e estruturais da obra de Mário de Andrade, serão realizados exercícios de fruição (leitura) e experimentos literários autorais. Coordenação de Zernesto Pessoa, dramaturgo da Companhia do Feijão. Para interessados em geral. Recomendado para maiores de 16 anos.

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